quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Sophie Kinsella - Lembra de Mim?



Ficha técnica: Lembra de Mim? (Remember Me?)
Autora: Sophie Kinsella
Editora Record
Lançamento original: 2008
Lançamento BR: 2009
399 páginas


"Lexi desperta após um acidente de carro, pensando que está em 2004, que tem 25 anos, dentes tortos e um namoro desastroso. Mas, para sua surpresa, ela descobre que está em 2007, tem 28 anos, é chefe de seu departamento e seu sorriso é perfeito. E, é casada com Eric, um lindo milionário!
Ela não pode acreditar na sorte que teve. Sobretudo quando vê o deslumbrante apartamento onde mora. E se comvence de que terá um casamento maravilhoso assim que tiver tempo para conviver novamente com o marido. Solícito, ele escreve um "Manual do casamento", com instruções dos mínimos detalhes para tornar as coisas mais fáceis.
Mas à medida que ela descobre mais e mais sobre a nova Lexi, nota problemas graves em sua vida perfeita. Suas melhores amigas a odeiam, um rival quer seu emprego e Eric não lhe desperta nenhum sentimento. E, para completar, o homem que é o braço direito do marido lhe faz uma revelação bombástica que talvez seja a única esperança de recuperar a memória."



"Somos amantes". "Cada vez que fazemos amor plantamos uma semente de girassol". "Você come torradas como se sua vida dependesse disso".

Com essas frases bombásticas, após descobrir-se vivendo uma vida de Cinderela, mesmo sem lembrar, Lexi começa a perceber que há muita coisa escondida naqueles 3 anos que ela não consegue lembrar-se...

Um acidente, uma cama de hospital, pessoas que você não conhece aparecendo à sua frente e dizendo-se suas melhores amigas, ou, até, seu marido! Isso acontece com Lexi. E o que parece um conto de fadas, na verdade, esconde uma mulher determinada a tomar o rumo de sua vida.

O livro é leve, apesar de o tema parecer meio mórbido. Amnésia? E acordar vivendo uma vida de princesa, casada com um homem lindo e rico, tendo um quarto só para guardar suas roupas... Quem nunca quis isso? Mas com o tempo a gente vê através das lembranças de Lexi que o que parece uma vida perfeita para um, pode ser um pesadelo para outro.
Lembrete básico: não julgar pela aparência - ou pela opulência.

É a segunda vez que leio este livro e sempre morro de rir em algumas partes e me solidarizo com a personagem em outras.
Preste atenção na história de Mont Blanc. É de cair na gargalhada.
Um conto de fadas às avessas. Uma brincadeira da autora do que seria uma vida perfeita.
O livro é lindo, trazendo valores familiares, amizade e o verdadeiro amor.
Vale muito a pena ser lido.
Não é novo, mas nunca se tornará velho.

Abaixo a capa original:



Nota: Além de a história se passar em Londres, a autora também mora lá!!! Eu sabia que gostava dela para além de suas histórias!!!!!

Nota²: E aproveitando o clima do livro...


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Becca Fitzpatrick - Finale (Série Hush, Hush #4)



Ficha técncia: Finale
Autora: Becca Fitzpatrick
Editora Intrínseca
Lançamento original: 2012
Lançamento BR: 2013
303 páginas

"Nora e Patch pensavam que seus problemas tinham ficado para trás. Hank estava morto, e seu desejo de vingança não precisava ser levado adiante. Na ausência de Mão Negra, porém, Nora foi forçada a se tornar líder do exército nefilim, e era seu dever terminar o que o pai começara - o que, essencialmente, significa destruir a raça dos anjos caídos. Destruir Patch.

Nora nunca deixaria isso acontecer, então ela e Patch bolam um plano: os dois farão com que todo mundo acredite que não estão mais juntos, manipulando, dessa forma, seus respectivos grupos...
Quando as linhas do combate são finalmente traçadas, Nora e Patch precisam encarar suas diferenças ancestrais e decidir entre ignorá-las ou dexá-las destruir o amor pelo qual sempre lutaram."


Romance Young-Adult. Último livro da saga.

E agora não há mais jeito, Nora e Patch terão de lutar.
Fazendo uma retrospectiva, Nora era uma garota normal que ia à escola com sua melhor amiga Vee e paquerava por aí. Até que se deparou com um carinho muito gato, a princípio chamado Jev, e depois Patch, e foi apresentada a um mundo totalmente novo, que ela sabia existir só nas páginas da Bíblia.
Anjos caídos, arcanjos, nefilins, começam a ser palavras comuns nos lábios de Nora.
Ela se vê no meio de uma guerra, especialmente porque os nefilins (segundo a Bíblia estes eram pessoas enormes fisicamente porque nasceram da mistura de anjos caídos com humanos) tinham seus corpos tomados durantes 2 semanas do mês de outubro, no período chamada "Cheshvan". Os anjos caídos, por não terem sensações, possuíam os corpos dos nefilins e davam-se duas semanas de puro prazer.
Nora descobre-se sendo uma nefilim. E no livro 3, por uma manipulação, ela descobre que terá de liderar os nefilins nessa guerra contra os anjos caídos.

Acontece que seu namorado, Patch, é um anjo caído. Mesmo ele dizendo que não tomará partido do seu povo, fica difícil ficar totalmente isento numa situação dessa.

Este quarto e último livro traz exatamente o que eles têm de fazer para ou impediram a guerra, ou fazerem com que um dos lados ganhe, sem que eles se separem por isso.

O livro não é confuso, para quem acompanhou a saga desde o início. Há várias pessoas que uma hora estão de um lado, outra hora, de outro. Portanto, tirando os dois protagonistas, você nunca sabe de onde vem o ataque. Gostei do desenrolar da história e até de seu final.
O que me deixou um tantinho incomodada foi muito mais por questões técnicas.
Por exemplo, ao ler da pág 289 para a 290, senti uma mudança no diálogo, como se tivesse faltado algo nesse meio (?????). Depois, teve o lance da carta.
Ficamos sabendo, através de leitoras de têm acesso ao livro em inglês, que a versão em português veio sem uma carta que Patch deixa para Nora, com Vee, antes de ir para o Inferno. Acontece que em português a carta nem é mencionada!! Se não é mencionada, não faz falta, mas poxa!! Seria legal ter a versão integral, não?
Abaixo, a carta disponibilizada pela editora:




Agora que temos acesso à carta queremos saber: que horas ela recebeu a mesma?
Em compensação, não encontrei erros de digitação como outros livros que andei lendo ultimamente, e a capa é uma fofura. Não só a foto em si, mas o papel, meio áspero, dá um toque mágico em tudo. E o desenho das penas logo que você abre o livro te lembra o quanto elas são importantes na história toda.

É para dar estrelinhas? Dou 4. Porque gostei da totalidade da série. Não teve cenas fortes, não teve sacanagem, mas conseguiu prender bem o leitor naquilo que se propôs.
Agora é virar a página e partir para uma nova saga.

Outras fotos com o mesmo casal de modelos. Opções de capas, talvez?



domingo, 24 de fevereiro de 2013

Minha Playlist - Parte #1


Trilha sonora.
Agora o grande barato dos romances contemporâneos é trazerem no meio de seu enredo, uma lista imensa de músicas que estão tocando nas rádios, Ipods e festas de seus personagens. Assim, o leitor pode realmente se sentir fazendo parte da trama a partir do momento que, no conforto da sua casa, ele ouve a mesma música que está tocando no seu livro.

Legal isso, né?

Quando o próprio livro não traz essa tal playlist, de acordo com o meu fascínio pela história, na minha cabeça eu já começo a interligar o enredo com alguma música conhecida.
Na maioria das vezes, listei músicas para os romances contemporâneos, mas tem uns poucos históricos no meio.
Listei uma música para cada livro e às vezes trilogia. A letra sempre tem algo a ver com a história.

Aqui vai a primeira parte da minha playlist:

1- A Maldição do Tigre - "All this Love", DeBarge


2- Irmandade da Adaga Negra - "Woman in You", BeeGees



3-  Amante Meu - "Father Figure"




4- Amante da Fantasia - "Sexy back", Justin Timberlake



5- Ascension Series - "Gimme, Gimme,Gimme - a man after midnight", Amanda Seyfried



6- O Resgate do Tigre - "She will be Loved", Maroon 5



7- Amante Libertada - "Viva Forever", Spice Girls



8- Wings of Fire - "She's Like the Wind", Patrick Swayze




9- Amante Renascido - "Angels", Robin Willians



10- Toda Sua - "I've got You Under my Skin", Frank Sinatra e Bono Vox




É ouvir, ler e se apaixonar!!!

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Theresa Ragan - An Offer He Can't Refuse


Ficha técnica: An Offer He Can't Refuse
Autora: Theresa Ragan
Editora "self"
Lançamento original: 2012
Lançamento BR: ainda não
Livro Digital

"Madison precisa arrumar um marido e rápido. Alguém que se encaixe para fazer uma performance perfeita: alto, sombrio.... e temporário."

ROMANCE CONTEMPORÂNEO.


Quando vi a capa do livro e a sinopse tão pequenininha, pensei logo que se tratava de um desses livros de leitura rápida e engraçada. E não me enganei.

Madison precisa de um marido antes de completar 30 anos. Tudo porque o testamento de seu avô deixou claro que, ou ela se casava e permanecia casada por pelo menos 3 meses, antes de completar 30 anos, ou todo o seu dinheiro iria para as mãos de sua prima Heather. Acontece que Heather era uma viúva com problemas de jogatina. E estava devendo até a alma desde a morte de seu marido.

O plano de Heather? Contratar alguém para aceitar a proposta de Madison, casando-se com Madison no prazo proposto por ela, mas pedir o divórcio antes que os 3 meses findassem, não dando chance a ela de arrumar um novo marido.

Madison acha a ideia de casar-se absurda, mas ela tinha pessoas que dependiam dela. O negócio era aceitar a proposta louca do avô e correr atrás de um homem.

Nem preciso dizer que tudo é uma loucura só. Achar o "marido" num bar, fazê-lo aceitar a proposta, oferecendo-lhe 100 mil dólares no final do acôrdo e, ao pegar a herança, doá-la para a instituição de ajuda a menores carentes na qual Madison fazia trabalho voluntário.

Como disse, o livro é uma leitura rápida, mas é bem engraçadinho. Bem no estilo Sarah Mason ou Sophie Kinsella, mas com menos páginas.
Um livro que com certeza faria sucesso no Brasil.

Matthew Quick - O Lado Bom da Vida



Ficha técnica: O Lado Bom da Vida (The Silver Linings Playbook)
Autor: Matthew Quick
Editora Intrínseca
Lançamento original: 2008
Lançamento BR: 2012
255 páginas

"Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele 'lugar ruim', Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um 'tempo separados'.

Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com o pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a aceitar revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida."

Romance Contemporâneo. Drama.

Um livro diferente desses que a nova safra literária nos tem apresentado. Nada de dramalhão romântico, ou cenas para lá de quentes repletas de sexo. O livro é enxuto, firme, direto.

A narração é em primeira pessoa. Isso quer dizer que você vê tudo pela perspectiva do próprio Pat. Levando em consideração que ele não está muito bom da cabeça, pode imaginar que tem determinadas partes interessantes, outras nem tanto.

A família de Pat também não ajuda. Nem digo pela mãe e irmão mais novo, que fazem tudo para que ele se reajuste à vida fora da clínica psiquiátrica. Mas o seu pai é osso duro de doer. Um homem que tem seu humor definido de acordo com o resultado do jogo de futebol americano, o time Eagles.

Boa parte da história se desenrola em torno desses jogos. Perdi as contas de quantas vezes o hino dos Eagles foi entoado pelos vários torcedores que se encontram com Pat (e como o livro é na narrativa dele, você vê que ele realmente descreve TODAS essas vezes). Mas se você para pra pensar, todas essas repetições são necessárias. Assim você entende o estrago que houve na cabeça dele.
Se por um lado essas repetições sobre os jogos tornam-se enfadonhas, por outro, quando ele descreve algumas pessoas que ele gosta, como o irmão, a mãe e o amigo Danny, é uma coisa muito fofa de se ler.

Sobre o estrago, claro que não direi o que ocasionou tudo isso, mas não precisa ser um gênio para identificar de primeira que tudo tem a ver com seu casamento com Nikki.

O encontro dele com Tiffany é bizarro. Os dois têm problemas psiquiátricos e suas formas de lidarem com eles. Tiffany às vezes se mostra ríspida, mas não é uma má pessoa. Só tem um jeito "doido" de tentar resolver tudo.

Já que o enredo é o mais normal possível (sem super poderes, ou gente com dinheiro a dar a rodo), não espere um final bombástico. Veja bem, eu NÃO disse que tem final triste!
Abaixo as capas em inglês. A da esquerda era a capa original antes de virar filme.



Agora que li o livro (que foi o tema de um dos grupos de leitura que faço parte. Este mês teríamos de ler um livro que virou filme, escolhi este), posso ver o filme. Assistindo o trailer já até identifiquei várias partes que não acontecem no livro, mas pela necessidade de não se perder tempo na película, o redator tem que mudar várias coisas. De qualquer forma, o filme também tem a finalidade de entreter com um pouco de comédia.
O ator, Bradley Cooper, concorre ao Oscar neste fim de semana. E a atriz, Jennifer Lawrence, já abocanhou o prêmio de melhor atriz no Golden Globe.



Se você quer ler algo diferente, que não seja o seu gênero literário de costume, vale a pena tentar ver 'o lado bom da vida' pelos olhos de Pat.

Abaixo um dos trailers disponíveis na net.



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Christian Grey na Berlinda | Link



"Por que as mulheres amam Christian Grey?"

Agora poderíamos adicionar outros, como Gideon Cross, Ian Noble, Gabriel Emerson...
O ponto aqui é: por que as mulheres adorariam ter tais personagens de livros como seus namorados/maridos/amantes? 
Seria só pela beleza, pela riqueza, pelo talento na cama?

Legal ouvir a opinião pela perspectiva masculina.
De uns tempos para cá venho me perguntando sobre essa diferença na busca por satisfazer o parceiro, entre os homens e mulheres.

As mulheres hoje em dia entendem de mecânica, assistem e opinam sobre UFC, fórmula um, jogam esses jogos online tão bem quanto os rapazes, vão a exposições e feiras sobre animes e mangás... Por que, diabos, os caras sequer podem se interessar pelo tipo de literatura que a mulher gosta? Por que o tal preconceito com o "livro de mulherzinha"? Leia, nem que seja para aprender a como fazer, seus bobos!!!

O texto abaixo, que já está correndo o mundo digital há algum tempo (lançado em outubro de 2012), explica bem isso.
Você não precisa (bem que seria bom, mas...) ter os zilhões de dólares dos personagens acima citados, mas o resto (o charme, o carisma, a educação, o interesse), vocês, rapazes, podiam começar a treinar.

Você encontra o texto original em BizRevolution. Texto de Ricardo Jordão Magalhães.

 "Na vida você vai perceber que existe um propósito para todo mundo que você conhece. Alguns vão testar você, alguns vão usar você, e alguns vão ensinar você. Mas mais importante que tudo, alguns vão fazer o melhor que existe em você aparecer.
A não ser que você tenha tirado umas férias em Marte, não tenha nenhuma amiga-mulher na sua vida, ou faça parte do Clube do Bolinha, você provavelmente já ouviu falar do livro 50 Tons de Cinza. 
50 Tons de Cinza é o conto de fadas do Século 21. O livro conta a história de Christian Grey, um jovem bilionário, brilhante, maravilhoso, ultra lindo, intimidador, super bem sucedido, um líder nato dos seus funcionários que ainda ajuda os pobres, piloto do próprio avião, fiel, super atencioso com as mulheres, um cara super bom de cama que se apaixona por uma menina de 22 anos totalmente tapada, virgem e que nem é o supra sumo da beleza feminina. 
O livro é um mega-sucesso em todo o mundo, inclusive no Brasil onde lidera a parada dos mais vendidos desde que foi lançado por aqui. 
50 Tons de Cinza é uma trilogia, e eu já li os três livros no meu Kindle.
Como marketeiro que sou, eu li os livros para entender porque “50 Tons de Cinza” faz tanto sucesso com as mulheres. No final da leitura, eu descobri que além de marketeiro, eu sou masoquista. Só sendo masoquista para ler os três livros até o final. A leitura do livro dói na alma, e um pé no saco, e vai piorando cada vez mais. O terceiro livro é o pior de todos. 
O livro é tosco, super mal escrito e repetitivo demais - até parece que a escritora deu uma série de “copiar-colar” em dezenas de diálogos e cenas de sexo que se repetem ao longo da história.
50 Tons de Cinza é um livro erótico. O livro tem metelança para todo lado o tempo todo. O livro se parece muito com os filmes-pornô visto pelos homens. Entre uma cena ou outra de sexo você tem uma histórinha qualquer bem chinfrin que você tem vontade de avançar rápido no controle remoto porque sabe que não vai perder nada. 
A contribuição de 50 Tons de Cinza para a história da literatura mundial é igual a contribuição do McDonalds para a nutrição. Ou seja, um lixo. 
Mas isso não vem ao acaso. 
Eu prefiro acreditar que o livro vai influenciar as mulheres a lerem outros livros, e eventualmente se aventurar em histórias muito mais bem escritas do que essa. É melhor ler um livro - seja ele qual for - do que assistir televisão ou ficar com a mente vazia. 
Eu prefiro acreditar que o livro vai salvar o casamento de muita gente que precisa ler o livro do jeito que foi escrito para aprender alguma coisa. 
Quem sabe. 
Agora, por que o livro é um sucesso?
50 Tons de Cinza foi escrito por uma mulher, inglesa, esposa, mãe de dois filhos. 
85% das leitoras que se dizem apaixonadas pelo Christian Grey são mulheres, casadas e mães. 
O que isso diz a você?
Para mim só tem uma resposta, existem milhões de mulheres em todo o mundo sendo super mal tratadas, mal entendidas e mal amadas por milhões de homens modernos e toscos tipo Fred Flinstones 2.0. 
O sucesso do livro 50 Tons de Cinza deve ser visto como mais um alerta para os homens.
Meses atrás eu fiz uma palestra em um evento fechado para 6 mil homens. O evento, bolado pelas mulheres da comunidade, reuniu seus maridos, filhos, cunhados, pais, sogros etc. 
As mulheres da comunidade levantaram os temas que os homens deveriam se aperfeiçoar, e convidaram palestrantes para falar a respeito. Eu fui até lá para falar sobre empreendedorismo, e o psicólogo que subiu ao palco depois de mim foi até lá para ensinar os homens a como tratar uma mulher. O cara falou sobre como conversar com uma mulher, como fazer carinho em uma mulher, como beijar uma mulher, como tocar uma mulher, como inspirar uma mulher etc etc etc. 
Na hora eu achei meio bizarro aquele monte de marmanjo metido a besta não saber nem como beijar uma mulher, mas a grande verdade é: os relacionamentos entre as pessoas hoje estão uma tristeza. Tudo joga contra para detonar as coisas. É preciso muita boa vontade de ambos os lados para fazer a coisa dar certo.
Como homem que sou, eu entendo um pouco da minha raça, e imagino que a galera até sabe o que precisa fazer pelas mulheres, o que eles se perguntam é, “E vale a pena fazer todo o esforço para conquistar a mulher?”. 
Bom, cabe a cada um descobrir essa resposta por si mesmo, mas uma coisa eu digo, se você não tratar bem o seu cliente, o concorrente vai encontrar uma maneira de tratá-lo bem. 
Já que os homens não vão ler o livro, eu vou facilitar a vida de vocês e listar por aqui as razões porque as mulheres amam o Christian Grey:
1. Porque o Grey elogia a mulherada o tempo todo. Toda mulher quer se sentir sexy e   maravilhosa. Os homens de hoje elogiam tão pouco as mulheres que ao fazê-lo, a mulherada já acha que o cara fez algo de errado. Então, coloca na cabeça a meta de crescer em 500% o número de elogios que você faz para a mulher que você ama. Diga a ela que você admira a atenção e dedicação que ela coloca na educação dos filhos mesmo ela tendo que dividir o seu dia entre trabalhar fora e cuidar da casa. A maioria das mulheres vivem preocupadas com a falta de feedback que recebem dos homens. Tire esse peso das costas da mulher, dê feedback! Para elas nós somos um mistério porque falamos muito pouco. A mulher precisa e quer saber a sua opinião sobre as coisas. Todo mundo precisa ouvir elogios, capricha nessa parte!
2. Porque o Grey faz a coisa acontecer. O FDP do Christian Grey além de pilotar um avião ainda sabe como consertar um ar condicionado. Mulher gosta de cara que resolve as coisas, tipo “Pode deixar que eu vou resolver isso em 2 horas” e “Pode deixar que hoje eu dou banho nos filhos, e coloco a turma para dormir”. O cara que só sabe encontrar a seção de batata frita em um supermercado e sintonizar o canal de esportes na televisão, tá danado. O homem precisa assumir a gerência de manutenção da casa e da família e fazer a coisa acontecer. Sim, todo mundo tem no mínimo dois empregos, aquele que traz o dinheiro para casa, e aquele que traz o amor para dentro do seu lar.
3. Porque o Grey cria momentos de romance. Antes do sexo a mulher precisa de amor, antes do amor a mulher precisa de romance. Todo relacionamento esfria com o tempo, mas ninguém deseja para si um relacionamento frio onde as coisas são entediantes e sem paixão. Para mudar isso, o cara precisa dar 100% de atenção quando estiver presente. Ouvir mesmo, elogiar mesmo, dar a entender que qualquer pequeno gesto da mulher é a coisa mais maravilhosa do mundo. Uma das coisas mais irritantes do livro é  a quantidade de vezes que o cara elogia a menina porque ela morde os lábios quando ela está envergonhada ou qualquer coisa do tipo. No primeiro livro isso acontece 46 vezes. Mas é isso, todas as pequenas coisas contam.
4. Porque o Grey se importa com a mulher. A verdade é que a grande maioria dos Fred Flinstones que tem por ai procuram uma mulher para substituir a mãe deles. O cara acha que a mulher tem que serví-lo e fazer tudo do jeito que a mamãe dele fazia quando era criança. BANDO DE BABACAS!!! O papel do cara é empurrar a mulher para frente. Incentivá-la a malhar, fazer o cabelo, comprar roupas novas, se alimentar direito, se preocupar com a sua saúde, e, claro, a satisfazer sexualmente e não apenas a si mesmo. E MAIS, o cara tem que fazer tudo isso sem que a mulher DIGA QUE ELE TEM QUE FAZER. Sim, é isso mesmo, o homem tem que ler a mente das mulheres. Fácil, né?
5. Porque o Grey tem seus problemas. Apesar das inúmeras virtudes, características e cliches de príncipe encantado, o cara não é perfeito - longe disso. Ele sofreu trocentos abusos quando era criança que afetaram drasticamente a maneira que ele se relaciona com as pessoas - nada muito diferente de qualquer homem que eu conheço. A heroína da história, por sua vez, apaixonada pelo cara que sempre faz a coisa acontecer, a elogia sempre, cria momentos de romance a todo momento e se importa com ela como mulher, acaba se vendo na responsabilidade de consertar o cara. Toda mulher que se preza acha que vai consertar os homens. É por isso que a mulherada se mete em relacionamentos furados, elas acham que podem mudar o homem. Kkk. Não rola. O ponto aqui é que ninguém precisa ser perfeito, mas todo mundo precisa se importar um pouco mais, ou muito mais, com aqueles que estão próximos da gente para que possamos pedir o mesmo em retorno. 
Os relacionamentos no Século 21 estão quebrando ou se quebrando, e cabe a VOCÊ consertar isso. 
A sociedade que queremos deixar para os nossos filhos e netos DEPENDE da qualidade dos relacionamentos que estamos construindo hoje. Se estivermos de bem com quem está próximo de nós, vamos conseguir tratar com amor as pessoas que encontramos nas ruas, nas empresas, nos clientes, em todo lugar. 
Ei Fred, coloque o seu coração e mente nessa questão!
Ela vai te trazer MUITO MAIS retorno do que aprender a organizar o monte de emails que você recebe todos os dias. 
NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!
QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim. E Você?"



Sarah Fawkes - O que Você Quiser - Envolvida por um Bilionário (Livro #1)



Ficha técnica: O que Você Quiser: Envolvida por um bilionário (What He Wants - Book #1)
Autora: Sarah Fawkes
Editora Planeta
Lançamento original:2012
Lançamento BR: 2013
301 páginas


"O trabalho temporário de Lucy Delacourt não é o emprego dos sonhos, mas paga suas contas. O momento alto de seu dia é andar de elevador com um atraente desconhecido. 
Tudo muda no dia em que o desconhecido a seduz. Completamente fora de si, ela se entrega sem nenhuma resistência, mas não imagina que aqueles momentos de delírio com um homem que ela nem sabe o nome irão mudar sua vida para sempre. Isso porque o rapaz sexy é ninguém menos do que Jeremiah Hamilton, um bilionário executivo que não se contenta com uma noite para satisfazer seu prazer. Conforme o endinheirado envolve Lucy em seu mundo de ambiciosos negócios e audaciosas aquisições, ele exige nada menos que sua total rendição."


Romance Contemporâneo-Erótico


Segundo o site da autora, esta série é "mais quente que 50 Tons..."


Você consegue ouvir daí as minhas engrenagens mentais trabalhando? Consegue ouvir o Tico e Teco tentando chegar num consenso?

Sinceramente, ainda não sei se posso dizer se gostei do livro, ou se o acho mais-do-mesmo. Deixa eu ver se me explico...


AVISO: COMO ESTOU UM TANTO CONFUSA,
ESTA RESENHA TEM SPOILER.
LEIA POR SUA CONTA E RISCO.



O livro é mais um lançado na linha "50 Tons", "Crossfire", "Luxúria", e por aí vai. Ou seja, uma história com muitas cenas de sexo explícito.
Isso tem virado tema de conversa entre amigas porque, se por um lado o mercado editorial está inchado de tantos títulos parecidos (milionários lindos e maravilhosos, que topam com uma garota absurdamente normal, das maneiras mais estrambóticas, e de repente, uma paixão louca nasce entre eles - a princípio é so tesão mesmo - e eles ficam juntos felizes para sempre), por outro lado, o mercado brasileiro ainda é um bebê em relação aos outros países. 
Só agora chegam às nossas mãos títulos mais picantes, de autores famosos ou nem tanto, nos quais o sexo é falado sem barreiras.
Lá fora isso já acontece há eras, e você encontra tais títulos em N editoras , com enredos que vão além do sexo somente.

Como, verdade seja dita, o livro que fez o Brasil despertar para esse tipo de literatura, foi a trilogia "50 Tons...", acaba que nós leitoras achamos  todos os outros títulos uma cópia.

Mas na realidade, é bom saber que agora temos várias editoras interessadas em trazer tais títulos para cá porque eles sabem que vendem. Cabe a nós, então, selecionarmos quais deles fazem a nossa cabeça. Com o tempo ficaremos mais espertas - àquelas que não estão acostumadas a livros desse porte, é claro - e saberemos exatamente o que comprar. Mas lembre-se: sempre haverá quem goste de tudo, então, não julgue em demasia.


Com este primeiro ponto resolvido, vamos ao próximo: o início do livro.
Como bem disse minha amiga-colunista Neli Knupp, no blog Alquimia dos Romances, curtir um romance erótico é até legal - saudável -, mas o sexo pelo sexo deixa tudo meio perdido. E foi assim que eu me senti no início deste livro aqui.

Nota:  Estou pensando seriamente em começar a entrar nesses prédios comerciais chiquetérrimos, ficar andando de elevador pra cima e pra baixo pra ver se topo com algum milionário gostosão; quando ele me notar, me jogo no chão parecendo que caí sem querer, e ainda - O MAIS IMPORTANTE - vou fazer cara de paisagem. Caraca!!!! TODAS as mocinhas dos livros desse gênero fazem assim e dá certo!!! Tô agindo errado!!!!


Mas voltando ao tema, o início desta história me deixou um tanto perdida com a rapidez que o casal começou o nheco-nheco. Como assim você deixa um cara fazer aquilo tudo no elevador?  E depois no mesmo dia na garagem!!!! Em tempos de AIDS e Hepatite C????




Aí, vem o raio do contrato (sempre tem um). Este aqui até que não foi chato. Nada de precisar ler trocentas páginas explicativas. Ele até foi bem sucinto "tudo que eu quiser". Legal, né?

E com isso, se dá início ao relacionamento hot deles. A mocinha piscou, pimba! Já está em Paris.



Nota²: Também vou passar a andar pra cima e pra baixo com meu passaporte na bolsa. Nunca se sabe...


Você me pergunta: se o livro é tão parecido com outros que você leu, por que da confusão?
Porque, por incrível que pareça, apesar da rapidez no fuk-fuk, quando finalmente começa a ação da trama, a história fica interessante. Eu quis realmente descobrir quem estava por trás de tudo. Porque você pensa que é uma pessoa, mas não é ela. Então, você segue a leitura para ver onde isso vai dar, e até que o bicho fica legal. Quando descobre-se que... o livro tem continuação...

Este romance, assim como a outra série "Porque Você é Minha", foi lançada originalmente apenas em digital, dividida em 5 partes, cada uma contendo 2 capítulos.





Somente depois eles lançaram a edição impressa, juntando as 5 partes (capa da edição impressa abaixo):



Naturalmente você pensaria que o livro está completo. De certa forma sim, mas a autora já deixou um mote para a sua continuação. E deixa eu te dizer: EU VOU LÊ-LA QUANDO SAIR.
Coisa de doido, né? É, eu sei.


Conclusão: a história tem romance (ui! e como!!), tem ação, tem suspense e tem continuação. Não creio que a pretensão fosse de ser um sucesso estrondoso como seus anteriores, mas para quem definitivamente curte esse tipo de literatura, a história é engraçadinha.
Na boa, leia. Vai que....




quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Texto Verdade: "A Arrogânica Segundo os Medíocres" | Link



Sabe um daqueles textos que você esbarra na internet e vê que ele se encaixa como uma luva na maneira que você pensa? Pois bem, isso acaba de me ocorrer com o texto "A Arrogância Segundo os Medíocres", de Carmen Guerreiro, do site AnsiaMente. (Leia o texto na íntegra clicando no link).

É muito chato perceber que até mesmo entre pessoas ditas amigas, você precisa regular a forma que fala, seus conhecimentos intelectuais, suas experiências...

Essa censura intelectual me deixa irritada. Isso porque a mediocridade faz com que muitos torçam o nariz para tudo aquilo que não conhecem, mas que socialmente é considerado algo de um nível de cultura e poder aquisitivo superior. E assim você vira um arrogante. Te repudiam pelo simples fato de você mencionar algo que tem uma tarja invisível de “coisa de gente fresca”.



O texto é rico em exemplos. E mesmo que você não seja o do tipo que tudo condena "nos outros", na certa, pelo menos, já conviveu com quem faça isso...


 Não pode falar que não gosta de novela ou de Big Brother, senão você é chato. Não pode fazer referência a livro nenhum, ou falar que foi em um concerto de música clássica, ou você é esnobe. Não ouso sequer mencionar meus amigos estrangeiros, correndo o risco de apedrejamento.

De qual lado do muro você está?
Aos que me conhecem, ou não, que me desculpem, mas não me venham dizer como regular o meu tempo, meu interesse, meu dinheiro, meu gosto literário e/ou musical.
Eu não teria dito melhor. E o texto nem é novo (publicado em maio/2012)

E o pior é que vivem, mesmo: no universo da pobreza de espírito.


Museu Madame Tussauds, em Londres


Trecho de Dia dos Namorados | Jamie McGuire | Inédito



E vamos combinar que este dia dos namorados americano último trouxe um bocado de surpresas.

No dia 14 de fevereiro a autora Jamie McGuire, da série Belo Desastre,  através do seu site, brindou às fãs com um texto inédito do primeiro Valentine's Day de Travis Maddox e sua "Beija-Flor". O texto original em inglês você pode ler na integra no link acima.

Este texto NÃO faz parte do livro Walking Disaster, a ser lançado no Brasil em julho (lançamento lá fora em 2 de abril).

Abaixo a tradução.
Divirta-se enquanto aguarda o próximo lançamento...

"Dia dos namorados Sr. e Sra. Maddox.
Primeiro dia dos namorados de Abby e Travis como marido e mulher. Perspectiva de Abby

O espelho estava embaçado eu limpei a condensação com a toalha. Eu demorei um tempo extra embaixo da água quente do chuveiro. Eu demorei mais tempo dirigindo de casa para a aula e um tempo extra procurando o presente perfeito para o Travis. Nada sobre o dia de hoje foi apressado. Gostaria de saborear cada momento com meu marido.
“Meu marido”. Depois de quase um ano o título soa tão estranho e natural ao mesmo tempo. Se alguém tivesse me dito quando eu vim para a faculdade que eu me casaria antes do final do meu primeiro ano eu teria lhes mostrado o dedo do meio. Algumas pessoas simplesmente não são do tipo que se casam. Eu sou uma delas, assim como Travis. De alguma forma estamos fazendo isso funcionar o último ano foi o mais feliz da minha vida. A toalha caiu no chão e eu olhei para baixo observando as elegantes linhas escuras na minha pele. Meus dedos tocaram gentilmente passando por cada linha, eu deslizei a ponta do meu dedo por cada curva delicada. Eu ainda sou a senhora Maddox e não existe arrependimento em minha memória por ter feito a tattoo ou da minha idéia louca de fugir para Vegas e me casar.
Depois de toda tragédia eu jurei que nunca voltaria para Vegas. Mas a cidade esquecida por Deus era o cenário perfeito para nós dois deixarmos nossos demônios irem, e começar de novo. Deixando tudo isso para trás era tão simbólico e eu não poderia me imaginar fazendo isso de outra maneira. Assim que acabei de secar meu cabelo meu celular tocou no canto da pia. O nome de América apareceu na tela.

 “Alô”.
“Oiê. Não posso falar muito. Shep acabou de chegar em casa e está me incomodando para sair. Eu só queria te desejar Feliz dia dos namorados já que vocês não irão hoje à noite. Só porque vocês se casaram não significa que vocês não podem mais ir às festas da fraternidade. Você sabe.”
“Eu sei, elas nunca foram a praia do Trav e definitivamente nem minha. Nós não queremos desperdiçar nosso primeiro dias dos namorados numa bebedeira, Mare.”
“Não esqueça que foi na festa do dia dos namorados ano passado que provocou o retorno entre você e o Sr. Maddox.”

A memória retorna rica em detalhes.
...E ao horror de perder sua melhor amiga porque você foi idiota o bastante para se apaixonar por ela.
Bem, eu pertenço a você! ... Eu pertenço a você.
A voz de América me trouxe de volta para o presente.
“Não me julgue. Pelo menos não somos mais calouros e Shepley não tem que correr como um ‘fodido garoto da cabana’ ”.
Eu ri do meu visual e olhei para o meu relógio. Travis estaria em casa a qualquer momento. “Bons momentos”!
“De qualquer forma como eu disse, não posso ficar muito tempo no telefone, mas eu esqueci de mencionar mais cedo, em parte porque eu estava tentando manter-me 300 milhas da palestra do DR. Hunter e porque você estava com o seu marido estúpido em todas as aulas, nós não temos mais privacidade.”
Eu sorri. Coordenar nossos horários tornou mais fácil a carona e estudar, mas eu não fazia ideia.
Colocar um anel no meu dedo deixou Travis um pouco mais relaxado, mas não tinha feito uma mudança de 180 graus. Qualquer avanço feito era raro, mas Travis era Travis e todo respeito que ele exigiu por mim como sua amiga e depois como sua namorada, se tornou 10 vezes pior como sua esposa.
“Feliz dia dos namorados para você e Shep, Mare.”
“Continua gostando do novo apartamento?”
Ela respirou. “Eu amo isso.”
“Já tem um anel?”
“Inferno! Claro que não.”
Eu ri. Shepley estava feliz por nós quando retornamos, mas ele estava com medo que América esperaria que ele fizesse a proposta. Sorte a dele, América tem uma enorme aversão por se casar antes dos 30 anos.
“Travis estará em casa em breve.”
“Sim”, ela bufou. “É melhor eu ir também. Te amo!”

Eu coloquei o telefone de volta na pia e franzi a testa sabendo que agora eu teria que correr. Assim que eu terminei de enrolar o ultimo pedaço do meu cabelo, a maçaneta da porta fez uma série de ruídos, um sinal de que Travis estava em casa. Dezenas de ruídos tilintaram pelo chão e em seguida pela porta. Totó se sentou na cadeira esperando e observando pela janela como fazia todos os dias no mesmo horário. Assim que a chave foi inserida na fechadura, Totó saltou da cadeira para a porta esperando para comemorar a chegada de Travis. Travis ia me deixar após as aulas e depois ia para o trabalho por algumas horas à noite. As ultimas lutas de Travis o mantiveram confortável por um tempo, mas por causa do incêndio no Hellerton ele não foi pago.
Minhas economias estavam esgotadas por causa das palhaçadas de Mick ano passado e o circo se desfez com o fogo. Travis prometeu não lutar, de qualquer maneira nós estávamos vivendo bem de empréstimos estudantis e empregos de meio período. Não era horrível, mas foi um ajuste.
Nós dois ensinamos à noite. Eu ajudo estudantes com dificuldades em álgebra e cálculo de diferentes graus de dificuldade. E Travis ensinava em todo o resto. Mas a maior parte de nossas contas foram pagas com o dinheiro que ele fez fazendo trabalhos para outros alunos. Empregos ilegais e arriscados pagam melhor, e velhos hábitos custam a morrer. Travis deu três passos rápidos para o apartamento com suas botas, então ele as tirou. Seus resmungos me fizeram dar um sorriso de canto. A primeira temporada de neve deixou dois centímetros de lama no chão e nós sabíamos que eu tinha limpado esta manhã para não ter que fazê-lo depois das aulas. Ele estava limpando suas botas.

“Bebê! Está em casa?”
“Estou!” Eu cantarolei, puxando meus cílios para cima com o pincel do rímel.
Ele bateu na porta do banheiro. “Não entre!”
Ele gemeu. “Eu não vi você o dia todo.”
“Você me viu três horas atrás.”
Depois de uma pequena pausa, Travis bateu com os dedos na porta.
“Eu vi um presente lá fora. Estou achando que é para mim.”
“Não, é para o Totó.”
“Isso não é legal.”
Eu dei risada. “Sim Trav, é para você.”
“Eu tenho uma coisa para você também, então apresse a sua bunda.”
“Perfeição leva tempo.”
“Se você pudesse se ver pela manhã, você saberia que isso não é verdade.”

Quinze minutos depois eu estava deslizando sob a minha cabeça um vestido vermelho que peguei emprestado com América, então caminhei até a sala onde Travis estava.
Ele estava assistindo TV, controle remoto em uma mão e uma garrafa de cerveja na outra. Minha cara de paisagem não foi páreo para o fato de que ele estava usando uma gravata. Isso era formal. Já vi tudo.
Travis me olhou de rabo de olho e então se virou.
“Maravilhosa! Eu sou um cara muito, muito sortudo!” Ele disse andando em minha direção antes de eu estar nos braços dele. Ele pressionou lentamente os lábios nos meus, então eles viajaram pelas minhas bochechas, passando pela minha orelha, pescoço e minha clavícula.
“Você esta usando uma gravata”, eu disse suavemente.
Ele se afastou e olhou pra baixo. “Eu pareço um idiota.”
“Não. Você parece... Eu estava considerando, sugerindo que nós ficássemos...”
Ele sorriu, e orgulhoso passou a mão na gravata.  “Isso é bom, hein!” Ele agarrou minha mão. “Isto soa fodidamente incrível, mas nós temos uma reserva. Vamos.”

Ele me levou pela mão, parando na porta para me ajudar com meu casaco. Fevereiro tem sido particularmente brutal. Se não está chovendo e caindo granizo, estava nevando bruscamente. Travis me ajudou a descer as escadas, tendo certeza que eu não escorregaria em meus saltos, mas quando chegamos à calçada ele me pegou no colo. Eu entrelacei meus dedos atrás do seu pescoço, passando meu nariz no lóbulo de sua orelha. Ele cheirava maravilhosamente bem. Quanto mais eu pensava sobre isso, mais eu pensava que deveríamos ter ficado em casa.
Dentro de meia hora estávamos sentados no bar do Rizoli’s, um restaurante italiano local. Travis me trouxe para o restaurante concorrente do restaurante dos pais de Parker, passou pela minha cabeça dizer algo, mas achei melhor não mencionar isso.
O lugar estava lotado, mas Travis e eu tivemos sorte de encontrar dois lugares vagos no bar enquanto aguardávamos por uma mesa.
Eu tomei um gole da minha bebida, e notei que Travis estava carrancudo. O que há de errado?

“Eu queria que esta noite fosse especial. Isto é um tipo de coxo.”
“Coxo? Este é um dos meus restaurantes favoritos”.
“É mais ainda é... Mediano. Eu queria que nosso primeiro dia dos namorados, fosse, sei lá, notável, eu acho.Olha para todas estas pessoas aqui, fazendo o mesmo que nós.”
“Isso não é uma coisa ruim.”
Uma mulher gritou sobre dezenas de pessoas que conversavam por todo salão. “Maddox”?
“Vamos”, Travis disse pulando fora do seu banco.
Ele estendeu a mão. “Vamos”.
Mas, eu disse apontando para a mulher. “Ela acabou de chamar nosso nome.” Travis sorriu mostrando suas covinhas nas bochechas. “Vem, flor”.
Sem dizer uma palavra eu desci e peguei a mão dele. Seguindo-o para fora. Ele parou apenas para pegar o jantar no drive-thru, e continuou. Curva após curva, Travis estava indo para a faculdade.
“Você não esta me levando para a festa de casais da Sig Tau, está?”
Travis fez uma careta.
Eu tinha uma idéia de onde estávamos indo quarteirões de distância, mas não tinha certeza até que Travis estacionou em frente ao Bartlen, eu soube exatamente o que ele estava fazendo.
“Você está brincando, certo?”
“Não”. Ele disse batendo a porta do lado do motorista e correndo para abrir a minha.
Travis pegou minha mão e rapidamente e em silencio nós caminhamos para a parte de trás do prédio.
“Não”, eu disse olhando para a janela do porão aberta.
Travis já havia pulado antes que eu pudesse protestar. “Vem, beija-flor.”
Ainda tinha neve no chão. Eu estava ficando molhada, congelando e instantaneamente irritada.
“De jeito nenhum!”
A mão de Travis disparou na escuridão como um gato quando passa pela fresta da porta.
“Será como nos velhos tempos.”
“Não, apenas não Travis. Inferno, não!”
“Está ficando solitário aqui.”
“Essa é uma idéia horrível.”
“Você esta estragando meu plano.”
“Você é louco, este vestido nem é meu e você esta me pedindo para arruíná-lo.”
“A noite esta só começando, ainda é cedo para isto.”
Eu quase podia ouvi-lo tentando segurar a risada.
Eu cruzei meus braços no peito. Depois de uma longa pausa a voz de Travis baixa e desesperada flutuou pela janela. “Por favor”.
Eu revirei meus olhos. “Tá bom.”

Dois passos para trás, um grito e caí, depois da queda eu estava nos braços de Travis no porão do Bartlen, o prédio em que nos vimos pela primeira vez.
Travis iluminou o caminho com a luz do celular e eu o segui por uma série de corredores, finalmente um deles abriu-se em uma grande e familiar sala. Sem a gritaria e os garotos bêbados da fraternidade ombro a ombro, ela parecia maior e menos suada.
Eu quase conseguia ouvira voz do Adam estridente no megafone e sentir como a energia explodiu quando Travis entrou na sala. Lembrei-me do sangue espirrando em meu suéter, meus olhos deixando o cashmare para olhar um par de botas pretas.
Travis me puxou para o centro da sala. A lembrança dele limpando o sangue do meu rosto e afastando qualquer um que se aproximasse de mim repetiu na minha memória.

“Beija-flor”, Travis disse quase ao mesmo tempo em que ele disse essas palavras em minha lembrança.
“Foi aqui que nós começamos. Onde eu te vi pela primeira vez. Quando você virou a porra do meu mundo de cabeça pra baixo. Ele abaixou e beijou minha bochecha e me entregou uma caixinha. Não é muito, embora eu tenha economizado para isso.”
Eu abri e um enorme e ridículo sorriso se espalhou pelo meu rosto. Era um lindo bracelete.
“É a nossa historia”, ele disse.


Um suéter, um par de dados, uma miçanga verde com trevos sobre ela. Eu olhei para o Travis.
“Isso deveria significar a nossa aposta”, ele disse apontando para os dados, “ e este aqui é pela primeira noite que dançamos”, ele disse apontando para uma miçanga vermelha. O próximo pingente era uma moto e o outro um coração.
“Pela primeira vez que eu disse eu te amo?”
Sim! Ele parecia feliz por eu ter descoberto por minha conta. “E este aqui”, eu disse apontando para um baralho de cartas. “Noite de poker na casa do papai?” Travis sorriu de novo.
O próximo era um peru, eu dei uma gargalhada. A próxima pérola era negra.
“Pelo tempo que ficamos separados. O tempo mais escuro da minha vida. O próximo pingente é uma chama. Eu não gosto de me lembrar sobre o incêndio, mas é parte da nossa historia, então é parte de nós. O próximo pingente é um anel.”
“Isto é muito lindo”. Eu olhei para ele.
“E tem esta sala. Isto é apenas o começo da nossa historia flor.”
Eu coloquei o bracelete no meu pulso. Travis me ajudou com o fecho, e então ele brincava com o seu telefone por um momento, colocando-o em uma mesinha a poucos metros de distância.
Ele colocou minhas mãos em seus ombros, e a música começou a tocar. Era a música que nós dançamos na minha festa de aniversário no ano anterior. “Eu não fazia idéia”, eu disse.
“Do quê?”
“Que você era tão sentimental.”
“Sim, você fazia.”
Eu encostei minha cabeça no seu ombro, feliz que desta vez quando a música acabasse eu poderia beijá-lo. Assim que a música parou, eu toquei seus lábios com os meus e lhe entreguei um saco vermelho liso. “O bracelete é uma coisa difícil de superar.”
“Não importa o que seja, Beija-Flor. Você já me deu tudo que eu sempre quis.”

Fim